LogoPortal POA

Lula pede atuação da ONU contra guerras e fome global

Presidente brasileiro discursou em Barcelona, defendendo o multilateralismo e a regulação de plataformas digitais, além de criticar conflitos que afetam os mais vulneráveis.

18/04/2026 às 16:47
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de uma ação global coordenada contra os conflitos armados e suas consequências sociais e econômicas. Em discurso proferido na manhã de sábado (18), em Barcelona, Espanha, durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, o líder brasileiro defendeu o fortalecimento do multilateralismo e a busca por soluções pacíficas.

 

Lula, que cumpre uma agenda internacional em três nações europeias, destacou o impacto desproporcional das guerras sobre a população mais pobre do mundo. Ele questionou a lógica pela qual os menos favorecidos arcam com os custos de conflitos internacionais.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou.


O presidente brasileiro ressaltou que o cenário global enfrenta problemas urgentes que demandam prioridade, afirmando que o mundo não necessita de mais guerras. Ele mencionou a existência de mais de 760 milhões de pessoas em situação de fome, milhões de analfabetos e a morte de milhões de indivíduos devido à carência de vacinas contra a covid-19.

 

Observando que o período atual registra o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, Lula instou a Organização das Nações Unidas (ONU) a tomar medidas mais decisivas para a paz mundial.

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", afirmou.


Lula expressou sua preocupação com diversos conflitos em andamento, citando a invasão da Ucrânia pela Rússia, a devastação na Faixa de Gaza promovida por Israel e as ações militares dos Estados Unidos contra o Irã, na região do Oriente Médio. Ele criticou a postura de nações poderosas que agem sem consultar o organismo internacional.

 

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento.Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", prosseguiu Lula.


O chefe de Estado lamentou a inércia de diversas nações diante da escalada dos conflitos e reforçou que a efetividade da democracia dentro das Nações Unidas depende do engajamento de seus membros.

 

"Fortalecer o multilateralismo depende de nós".


 

Apelo por regulação de plataformas digitais

 

Em outro ponto de seu discurso, o presidente Lula abordou o papel das plataformas digitais na desestabilização política global. Ele solicitou que a própria ONU assuma a liderança nas discussões para estabelecer regras compartilhadas e aplicáveis entre todos os países.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", afirmou.


Lula reiterou a necessidade de a ONU agir proativamente na questão da regulamentação das plataformas.

 

"Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", completou Lula.


O Fórum Democracia Sempre, uma iniciativa lançada em 2024, conta com a participação dos governos do Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também reuniu os presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e o ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

 

Compromissos na Europa

 

Após seus compromissos na Espanha, o presidente Lula seguirá viagem para a Alemanha no domingo (19). Lá, ele participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição presta uma homenagem ao Brasil. Ainda em solo alemão, o presidente tem agendada uma reunião com o chanceler Friedrich Merz.

 

A jornada europeia de Lula será concluída no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Na capital, Lisboa, o presidente terá encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

© Copyright 2025 - Portal POA - Todos os direitos reservados