A República Islâmica do Irã, por meio de sua agência de notícias oficial, a Irna, anunciou neste sábado (18) a restauração do controle do Estreito de Ormuz, com a implementação de uma supervisão reforçada pelas Forças Armadas do país. Esta medida ocorre após acusações iranianas de que os Estados Unidos teriam descumprido acordos e praticado atos de "pirataria e roubo marítimo" na região vital para o comércio global de petróleo.
O tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, enfatizou a importância estratégica do estreito, afirmando que a área se encontra agora sob a estrita gestão e controle das Forças Armadas iranianas.
Segundo Zolfaghari, o Irã havia, em um gesto de boa-fé e em conformidade com negociações prévias, autorizado a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e outras embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz.
No entanto, o porta-voz iraniano alegou que os Estados Unidos desrespeitaram repetidamente os termos acordados, engajando-se em atos que descreveu como "pirataria e roubo marítimo" sob a justificativa de um bloqueio.
“Portanto, o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior”
Antes da recente retomada de controle, a Agência Tasnim, vinculada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), já havia emitido um alerta. A agência indicou que o estreito poderia ser novamente fechado se o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos persistisse, o que comprometeria aproximadamente 20% da produção global de petróleo.
As autoridades iranianas consideram a presença contínua de navios norte-americanos na região como uma violação direta do acordo de cessar-fogo. Atualmente, embarcações dos EUA estão posicionadas no Oceano Índico, a uma distância que lhes permite interceptar possíveis ataques provenientes do Irã em Ormuz.
A situação no Estreito de Ormuz se desenrola após um anúncio feito na última quinta-feira (16) pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele informou a concretização de um acordo de cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, uma trégua que o Irã havia estabelecido como condição para a continuidade das negociações na região.
Em um comunicado divulgado na sexta-feira (17), a Força Naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) fez referência ao cessar-fogo ao mencionar uma "nova ordem" que passaria a regular o estreito.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia garantido que a navegação pelo Estreito de Ormuz estaria totalmente liberada durante o período restante do cessar-fogo.
“Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”