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MIS abre exposição com mais de 300 itens inéditos de Janis Joplin em SP

Mais de 300 itens da cantora são exibidos pela primeira vez no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo

17/04/2026 às 13:49
Por: Redação

No mês de agosto de 1969, Dorothy escreveu uma carta destinada a um destinatário não identificado, na qual relatava o sentimento de estranheza ao ver sua filha ser chamada de "deusa" ou "rainha". Na parte final dessa correspondência, Dorothy também expressou sua insatisfação pelo fato de a filha não mais lhe enviar cartas, limitando-se a telefonar esporadicamente.

 

Enquanto isso, a filha de Dorothy, Janis Joplin, estava totalmente dedicada à carreira musical. Durante o mesmo mês de agosto, a cantora se apresentava em Woodstock, um dos festivais de música mais marcantes da história, já consagrada como um dos maiores nomes do rock internacional, título que ainda provocava surpresa em sua mãe.

 

Passadas quase cinco décadas e sete anos desde essa apresentação histórica, Janis Joplin será tema de uma mostra inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. O evento, que se inicia nesta sexta-feira, 17, reúne mais de 300 peças, incluindo figurinos usados pela artista, adereços, manuscritos, os famosos óculos, a estola de penas e outras relíquias originais que estavam sob a guarda da família Joplin e nunca haviam sido mostradas ao público.

 

O responsável por trazer parte do acervo de Janis para o museu paulista é Chris Flannery. Ele explicou que o projeto só se concretizou após conhecer o administrador do espólio da cantora. Três anos atrás, esse contato viu a exposição dedicada a B.B. King, também organizada por Flannery no MIS, e enviou uma lista com diversos artefatos e fotos do acervo de Janis.

 

“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”


 

Entre os itens presentes na mostra estão peças de vestuário e desenhos feitos por Janis Joplin. Chris Flannery afirmou que os escritos e desenhos revelam um aspecto menos conhecido da artista, destacando que ela também era uma criadora visual e que parte dessa produção compõe a exposição.

 

Os ingressos para a exposição custam 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Em todas as terças-feiras, exceto feriados, a entrada é gratuita para o público.

 

Exposição propõe imersão sensorial e homenageia passagem de Janis pelo Brasil

O MIS realiza pela terceira vez uma exposição dedicada a grandes nomes femininos do rock, tendo anteriormente celebrado as trajetórias de Rita Lee e Tina Turner.

 

De acordo com André Sturm, diretor-geral e curador do MIS, o período do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 é marcado pela contracultura, pelo rock e pela libertação de costumes, sendo Janis Joplin um dos principais ícones desse contexto.

 

A mostra ocupa o primeiro andar do museu, onde o público encontra uma cenografia imersiva com inspiração psicodélica, projetada para proporcionar uma experiência sensorial. Ao todo, são dez salas expositivas, cada uma expressando sentimentos ou conceitos relacionados à personalidade e à trajetória da cantora.

 

“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”


 

Uma das salas, intitulada Amor Brasil, destaca o período em que Janis Joplin esteve no país, durante o carnaval do Rio de Janeiro, em 1970. O material disponível nesse espaço inclui fotografias, vídeos e um trecho de uma carta que a artista escreveu à mãe durante sua estadia no Brasil. Segundo o diretor do museu, Janis demonstrou muita felicidade durante sua passagem pelo país.

 

Trajetória e influência de Janis Joplin

Janis Joplin nasceu em Port Arthur, Texas, em 1943. Sua voz, marcada por intensidade, rouquidão e potência, é considerada única. Na adolescência, ela teve forte influência de artistas como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, cujas vozes autênticas impactaram profundamente sua decisão de seguir carreira musical.

 

No período do ensino médio, Janis participou de grupos de música folk com amigos e também se dedicou à pintura. Cursou por pouco tempo a faculdade em Beaumont e Austin, mas seu interesse se voltou para as lendas do blues e para a poesia beat, o que a levou a interromper os estudos.

 

Em 1963, Janis mudou-se para São Francisco, onde morou no bairro de Haight-Ashbury, local associado ao uso de drogas. Foi nesse ambiente que conheceu Jorma Kaukonen, guitarrista que futuramente integraria a banda Jefferson Airplane. Juntos, eles gravaram diversas músicas, com participação de Margareta, esposa de Jorma, que utilizava uma máquina de escrever como instrumento.

 

Depois de um breve retorno ao Texas, onde cursou sociologia na Universidade Lamar, Janis acabou voltando à Califórnia em 1966, ano em que começou efetivamente sua carreira artística, que teria duração de pouco mais de quatro anos.

 

O início da carreira musical de Janis Joplin se deu ao ser notada pelo grupo Big Brother and the Holding Company, uma das bandas mais cultuadas da cena do rock psicodélico de São Francisco. Com eles, Janis gravou dois álbuns considerados antológicos: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968).

 

Pouco tempo depois, ela deixou o grupo para se dedicar a projetos solo, lançando os discos I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), sendo este último lançado postumamente.

 

Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, em consequência de overdose de heroína, poucos dias após a morte do também ícone musical Jimi Hendrix.

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