O encerramento do mês de abril trouxe otimismo aos mercados financeiros no Brasil, em meio a um ambiente internacional favorável e à postura mais rígida adotada pelo comunicado do Comitê de Política Monetária. O dólar comercial encerrou a quinta-feira, dia 30, cotado a 4,952 reais, registrando queda de 0,049 real, equivalente a 0,99%. Trata-se do menor patamar desde 7 de março de 2024.
Durante o mês, a desvalorização da moeda americana frente ao real acumulou 4,38%. No acumulado do ano, a queda alcançou 9,77%, colocando a moeda brasileira entre as de melhor desempenho globalmente no período.
Esse resultado foi influenciado principalmente pela entrada expressiva de capital estrangeiro, um movimento típico em cenários de maior apetite global por risco. Investidores estrangeiros optaram por vender dólares e direcionar recursos para ativos brasileiros, como ações, aproveitando o ambiente mais receptivo a economias emergentes.
A queda do dólar reflete também uma tendência internacional de enfraquecimento da divisa dos Estados Unidos, além da busca de investidores por economias que oferecem juros mais atrativos.
Apesar da recente redução, a taxa básica de juros brasileira permanece em níveis elevados. Na quarta-feira, dia 29, o Banco Central promoveu novo corte, fixando a Selic em 14,50% ao ano, mas sinalizou cautela quanto ao ritmo de próximos ajustes. O comunicado destacou preocupações com riscos inflacionários, sugerindo que futuras reduções podem ocorrer de maneira mais gradual.
No cenário internacional, o Federal Reserve optou por manter as taxas americanas entre 3,50% e 3,75%. A diferença entre os juros das duas economias amplia a atratividade do Brasil para investidores que buscam maior retorno financeiro, contribuindo para a valorização do real.
Também o euro comercial apresentou forte retração neste mesmo dia, encerrando as negociações cotado a 5,811 reais, o que representa queda de 0,48%. Esse é o nível mais baixo da moeda europeia desde 24 de junho de 2024.
No mercado de ações, a quinta-feira foi marcada por uma expressiva recuperação, interrompendo uma série de seis quedas consecutivas. O índice Ibovespa, principal termômetro da B3, fechou o dia em 187.318 pontos, com alta de 1,39%.
O desempenho positivo foi impulsionado tanto pelo maior fluxo de capital estrangeiro quanto pela reavaliação das expectativas relativas à política monetária. Com a possibilidade de cortes mais cautelosos na taxa Selic, aumentou a percepção de estabilidade econômica, o que tende a beneficiar o mercado acionário.
Apesar do ganho acumulado na sessão, o Ibovespa encerrou o mês praticamente estável, já que as perdas registradas anteriormente acabaram por anular parte dos avanços obtidos.
No âmbito interno, os agentes de mercado monitoraram a divulgação de dados econômicos e decisões políticas, cujos impactos sobre as cotações foram considerados limitados. Indicadores relativos ao mercado de trabalho sinalizaram resiliência da atividade econômica, reforçando a avaliação de que não há espaço para cortes de juros mais intensos no curto prazo.
O preço do petróleo seguiu como elemento de destaque para os mercados globais, diante de um quadro de intensa volatilidade relacionada a tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.
Durante o pregão, as cotações chegaram a superar 120 dólares, mas perderam força ao longo do dia. O barril do tipo Brent, referência utilizada pela Petrobras, terminou cotado a 110,40 dólares, praticamente estável. Já o barril WTI, utilizado no mercado norte-americano, encerrou a 105,07 dólares, recuando 1,69%.
As oscilações recentes refletem preocupações quanto ao fornecimento mundial, sobretudo devido às restrições impostas no Estreito de Hormuz, importante via de escoamento do petróleo, e à instabilidade provocada por conflitos e ameaças envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Apesar de quedas pontuais, as cotações permanecem em patamares elevados, mantendo a pressão sobre índices globais de inflação e influenciando estratégias de política monetária em diferentes países.
Informações adicionais foram fornecidas pela Reuters.