LogoPortal POA

Salário médio no Brasil bate recorde e atinge 3.722 reais

Remuneração sobe 5,5% em um ano, atinge 3.722 reais e atinge maior patamar desde 2012, segundo IBGE

01/05/2026 às 01:38
Por: Redação

No primeiro trimestre de 2026, o rendimento mensal médio dos trabalhadores brasileiros alcançou o maior patamar desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012, atingindo o valor de 3.722 reais.

 

Esse resultado representa uma elevação real, já considerando o desconto da inflação, de 5,5% na comparação com igual período do ano anterior, 2025. O dado foi divulgado nesta quinta-feira, dia 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com sede no Rio de Janeiro.

 

O trimestre encerrado em março de 2026 marca a segunda vez consecutiva em que o rendimento médio do trabalhador brasileiro ultrapassa a faixa dos 3.700 reais. Nos três meses imediatamente anteriores, com término em fevereiro, a média foi de 3.702 reais. Já em relação ao último trimestre de 2025, o valor subiu 1,6%, saindo de 3.662 reais.

 

Impacto das atividades econômicas

O levantamento do IBGE considerou dez grupos distintos de atividades econômicas. Em oito desses setores, o rendimento médio apresentou estabilidade, sem variações estatisticamente significativas. Dois segmentos se destacaram por registrar aumento: o comércio, com crescimento de 3% (86 reais a mais), e a administração pública, que apontou elevação de 2,5% (incremento de 127 reais).

 

Razões para o aumento nos rendimentos

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, atribui parte desse recorde no rendimento médio ao reajuste do salário mínimo, ocorrido em janeiro de 2026, quando o valor passou a ser de 1.621 reais.

 

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”


 

Outro ponto destacado por Adriana Beringuy é a redução de 1 milhão de pessoas no total de ocupados no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o quarto trimestre do ano anterior. Essa diminuição se concentrou principalmente entre trabalhadores informais, que normalmente apresentam renda inferior à dos formais.

 

Segundo a especialista, essa redução no volume de trabalhadores com rendimento menor contribuiu para que a média salarial daqueles que permaneceram ocupados fosse maior no início de 2026 em relação ao final de 2025.

 

Massa de rendimentos e impacto econômico

O levantamento mostrou ainda que o total de rendimentos somados de todos os trabalhadores, denominado massa de rendimentos, atingiu 374,8 bilhões de reais, representando também o maior valor já registrado na série histórica.

 

Esse montante se refere ao valor global dos salários pagos no período, quantia empregada posteriormente para consumo, pagamentos de dívidas, investimentos e formas de poupança.

 

Comparado ao primeiro trimestre de 2025, houve aumento real de 7,1% na massa salarial, superando a inflação do período e significando um acréscimo de 24,8 bilhões de reais no total destinado aos trabalhadores ao longo de doze meses.

 

Participação na previdência social

A proporção de trabalhadores ocupados que contribuem para a previdência social chegou a 66,9% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com os dados do IBGE. Esse percentual corresponde a 68,174 milhões de pessoas com algum grau de proteção previdenciária.

 

Entre as garantias adquiridas por quem contribui para institutos de previdência estão aposentadoria, benefícios em caso de incapacidade e pensão por morte. São considerados contribuintes os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que realizaram contribuições para previdências oficiais federais, como o INSS ou o Plano de Seguridade Social da União, além de sistemas estaduais e municipais.

 

A redução do número de trabalhadores informais é apontada pela coordenadora do IBGE como uma das explicações para o crescimento do número de contribuintes. Ela destaca que entre os informais, a contribuição previdenciária é proporcionalmente menor.

 

A taxa de informalidade no trimestre terminado em março ficou em 37,3% da população ocupada, equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores sem garantia de direitos trabalhistas. No final de 2025, esse índice era de 37,6% e, no primeiro trimestre daquele mesmo ano, estava em 38%.

 

O IBGE esclarece que um trabalhador informal, como alguém que atua por conta própria sem registro de CNPJ, pode ser contribuinte individual do INSS.

 

Queda no desemprego

A Pnad se configura como o principal instrumento estatístico para avaliar o mercado de trabalho no país, abrangendo pessoas com 14 anos ou mais, independentemente do tipo de ocupação, incluindo empregos com ou sem carteira assinada, temporários e autônomos.

 

No começo de 2026, a taxa de desemprego foi de 6,1%, menor índice já aferido para o período. Segundo a metodologia do instituto, considera-se desocupada a pessoa que buscou emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa, realizada em 211 mil domicílios espalhados por todos os estados e pelo Distrito Federal.

© Copyright 2025 - Portal POA - Todos os direitos reservados