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Lula critica ameaças dos EUA a outros países e alerta para risco de guerra

Presidente brasileiro condena ameaças e bloqueios dos EUA a Irã, Cuba e Venezuela, e defende respeito à soberania.

17/04/2026 às 00:39
Por: Redação

Em declaração recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se manifestar contrariamente à postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante de nações como Irã, Cuba e Venezuela. Lula destacou que, de acordo com sua visão, não cabe à Casa Branca o direito de intimidar países com os quais não compartilha posicionamentos políticos ou ideológicos.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Na semana anterior às declarações do presidente Lula, Trump chegou a proferir ameaças de cometer genocídio contra o Irã, caso o país não aceitasse as condições impostas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio.

 

Lula concedeu tais declarações durante uma entrevista exclusiva ao periódico espanhol El País, publicada em 16 de maio. Em sua explanação, também abordou as atitudes do presidente norte-americano em relação a intervenções e ameaças direcionadas a Cuba e à Venezuela.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

De acordo com o presidente Lula, o cenário internacional tem carecido de líderes políticos dispostos a reconhecer que o planeta não pertence a uma única nação. Ele salientou a necessidade de as principais potências assumirem um papel mais responsável na manutenção da paz global.

 

Segundo Lula, a importância de um país não autoriza que ele desconsidere a responsabilidade de garantir a estabilidade entre as nações.

 

Alerta sobre conflito global e consequências

 

Durante a entrevista, Lula também abordou a possibilidade de uma terceira guerra mundial como consequência direta das políticas intervencionistas de Trump em diferentes países.

 

O presidente brasileiro avaliou que um conflito dessa magnitude teria impacto devastador, superando em dez vezes a tragédia vivenciada durante a Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Questionado pelo periódico espanhol sobre a possibilidade de deflagração de uma guerra mundial, Lula afirmou que, se persistir a ideia de que é possível agir militarmente contra qualquer nação, esse cenário pode se concretizar.

 

Posicionamento sobre bloqueio a Cuba

 

Lula também manifestou descontentamento com o agravamento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que se soma a um embargo econômico vigente há quase 70 anos. Para ele, Cuba possui valor estratégico para o Brasil.

 

O presidente questionou a justificativa para manter um bloqueio por tantas décadas, enfatizando que se a preocupação fosse realmente com o povo cubano pelos críticos do regime cubano, o mesmo empenho deveria ser direcionado ao Haiti, que não adota regime comunista, mas também enfrenta graves problemas.

 

O Haiti, segundo Lula, vive uma crise social e econômica profunda, com o controle de grande parte da capital Porto Príncipe em poder de gangues armadas há décadas.

 

Lula ainda ressaltou que Cuba necessita de oportunidades para superar as adversidades internas, indagando sobre como um país pode resistir sem acesso a alimentos, combustível ou energia devido a restrições externas.

 

Eleições e soberania na Venezuela

 

Referindo-se à Venezuela, Lula declarou que a posição de seu governo é favorável à realização das eleições previstas para julho de 2024, e que é fundamental o reconhecimento do resultado eleitoral para que o país retome a estabilidade e a paz.

 

O presidente criticou a concepção dos Estados Unidos de que poderiam exercer controle sobre a administração venezuelana.

 

Disputa comercial e tarifas de exportação

 

Sobre a taxação promovida pelos Estados Unidos a uma parcela das exportações brasileiras, medida implementada entre abril e agosto de 2025, Lula recordou uma conversa direta com Trump, em que reforçou que os líderes de Estado não precisam concordar em termos ideológicos, mas devem priorizar os interesses mútuos de seus países.

 

Lula destacou que seu objetivo, como chefe do Executivo brasileiro, é defender os interesses do Brasil em relação aos Estados Unidos, assim como espera que o presidente americano faça o mesmo em defesa de seu país.

 

Após negociações realizadas entre Brasília e Washington, em novembro de 2025, os Estados Unidos decidiram retirar a tarifa de 40% que incidia sobre diversos produtos brasileiros, como café e carne. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a cobrança dessas tarifas sobre dezenas de países, após solicitação de empresas norte-americanas prejudicadas pelas medidas.

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