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Irã e Hezbollah creditam trégua no Líbano à força do Eixo da Resistência

Irã e Hezbollah afirmam que união de grupos contrários a Israel e EUA foi determinante para o cessar-fogo no Líbano

17/04/2026 às 16:52
Por: Redação

O governo do Irã e o Hezbollah atribuíram o estabelecimento do cessar-fogo no Líbano ao alinhamento e à capacidade de enfrentamento dos grupos que compõem o chamado Eixo da Resistência, formado por organizações contrárias à atuação de Israel e dos Estados Unidos na região do Oriente Médio.

 

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscou associar a trégua a uma iniciativa da Casa Branca, representantes iranianos destacaram que a exigência de suspender as hostilidades no Líbano foi condição imposta por Teerã para manter as negociações abertas com Washington. Depois da interrupção dos confrontos, o Irã comunicou a liberação da passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz.

 

O Hezbollah, por meio de nota oficial, informou ter realizado 2.184 operações militares no período de 45 dias de combates contra as forças armadas de Israel, o que representa uma média diária de 49 ações. Os alvos dessas operações foram as tropas de ocupação israelenses presentes em território libanês, além de instalações, quartéis e bases militares no próprio Israel e em áreas palestinas sob ocupação, com alcance de até 160 quilômetros além da fronteira libanesa.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”, diz comunicado divulgado pela TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah.


 

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, que lidera a delegação do país nas tratativas com os Estados Unidos, declarou que a suspensão dos ataques é resultado direto tanto da atuação do Hezbollah quanto da coesão do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”, disse em uma rede social.


 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, ressaltou que os desdobramentos do cessar-fogo são consequência direta dos esforços diplomáticos liderados por Teerã.

 

“Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”, afirmou Baghaei.


 

Reação do governo israelense à trégua

 

O gabinete conduzido pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vinha declarando a intenção de ocupar a região sul do Líbano até o Rio Litani, localizado 30 quilômetros além da divisa entre os países. No dia anterior ao anúncio oficial do cessar-fogo, Netanyahu declarou ter orientado o prosseguimento das operações militares visando a conquista da cidade de Bent Jbel.

 

Conforme publicado pelo jornal israelense The Times of Israel, a decisão de interromper os combates foi recebida com surpresa pelos ministros do governo. Netanyahu teria informado ao gabinete que aceitou o cessar-fogo por solicitação do presidente Donald Trump. Já a oposição política ao primeiro-ministro criticou a trégua, classificando-a como uma medida "imposta" a Israel.

 

Segundo reportou o portal de notícias Ynet, um oficial das Forças de Defesa de Israel teria afirmado que, mesmo após o início do cessar-fogo, as tropas israelenses permaneceriam em solo libanês.

 

Conflito entre Líbano e Israel: origens e contexto recente

 

A etapa mais recente do conflito que envolve Israel e Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou ataques contra o norte do território israelense em apoio à população palestina, após os massacres ocorridos na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, um acordo de cessar-fogo foi firmado entre o grupo xiita e o governo de Tel Aviv. Contudo, Israel não respeitou o entendimento e manteve operações militares no Líbano. A partir de 28 de fevereiro, quando Israel iniciou agressões contra o Irã, o Hezbollah voltou a atacar Israel em resposta às violações sistemáticas do cessar-fogo e ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, foi divulgado o início do cessar-fogo na guerra com o Irã, mas Israel seguiu realizando investidas militares no território libanês, desconsiderando o novo acordo, desta vez mediado pelo Paquistão.

 

O governo iraniano insistia que a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo era requisito essencial para dar continuidade às negociações diplomáticas com os Estados Unidos, com uma segunda rodada de conversas já programada para os próximos dias.

 

Histórico do embate entre Hezbollah e Israel

 

O antagonismo entre o Hezbollah e o Estado de Israel remonta à década de 1980, período em que a milícia de orientação xiita se formou em reação à invasão e ocupação israelense no Líbano, cujo objetivo era perseguir grupos palestinos refugiados no país vizinho.

 

Em 2000, o Hezbollah obteve êxito ao expulsar as forças israelenses do Líbano. Desde então, a organização consolidou-se como partido político, conquistando cadeiras no Parlamento e participando de governos nacionais.

 

O Líbano foi novamente alvo de ofensivas militares por parte de Israel nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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