Em um cenário marcado por incertezas nos mercados financeiros globais, o dólar comercial encerrou a quarta-feira, 29 de abril, cotado a cinco reais, apresentando valorização de 0,4%, o que corresponde a um acréscimo de 0,019 real em relação ao fechamento anterior. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a ser vendida a 5,01 reais por volta das 16 horas, após iniciar o dia próxima a 4,98 reais.
O avanço do dólar não se restringiu ao Brasil, sendo registrado também em relação às principais moedas estrangeiras. Esse movimento foi impulsionado por um ambiente externo permeado por tensões geopolíticas, especialmente a escalada de conflitos no Oriente Médio, além da decisão do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que optou por manter os juros norte-americanos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A eventualidade da reunião do Banco Central do Brasil sobre a política de juros doméstica também contribuiu para a cautela dos agentes financeiros.
O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, seguiu em queda acentuada e atingiu o menor patamar desde 30 de março de 2026, fechando o dia em 184.750 pontos, com retração de 2,05%. Durante o pregão, o índice oscilou entre 184.504 e 188.709 pontos, variando mais de quatro mil pontos ao longo do dia. O resultado negativo intensificou a sequência de perdas recentes: a Bolsa acumula baixa de 3,14% na semana e de 1,45% no mês, apesar de manter alta de 14,66% no acumulado do ano. Desde a máxima histórica registrada em abril, o Ibovespa já reduziu aproximadamente 14 mil pontos, sendo a queda deste pregão a mais expressiva desde 20 de março.
No exterior, o preço do petróleo disparou, consequência direta do agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. No fechamento do mercado internacional, o barril do tipo WTI, referência nos Estados Unidos, atingiu 106,88 dólares, registrando aumento de 6,95%. Já o Brent, índice utilizado nas negociações da Petrobras, encerrou cotado a 110,44 dólares, com avanço de 5,78%.
Esse movimento de valorização reflete a preocupação dos agentes econômicos em relação ao fornecimento global dessa commodity energética, especialmente diante do risco de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte mundial de petróleo.
O cenário externo permaneceu como foco principal dos investidores ao longo do dia. A decisão do Federal Reserve de manter os juros nos Estados Unidos veio acompanhada de sinalizações sobre preocupações recorrentes com a inflação, assim como com o aumento de incertezas no ambiente internacional. Paralelamente, a intensificação do conflito no Oriente Médio contribuiu para a elevação da volatilidade nos mercados financeiros globais. A cotação do petróleo acima de cem dólares o barril reforçou ainda mais os temores quanto à pressão inflacionária global.
No âmbito doméstico, o mercado aguardava a definição da política de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro. O anúncio da redução da taxa básica em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano, foi divulgado somente após o encerramento das negociações na Bolsa.
Ao longo da quarta-feira, essas decisões e expectativas, somadas ao ambiente internacional de instabilidade, influenciaram diretamente a movimentação do câmbio e o desempenho do mercado de ações brasileiro.
Informações complementares sobre o impacto dessas movimentações financeiras e das decisões monetárias continuaram sendo monitoradas pelos agentes econômicos, em meio à incerteza predominante nos mercados globais.