LogoPortal POA

Dólar atinge valor mais baixo em dois anos e real lidera desempenho

Moeda americana encerrou abril cotada a 4,952 reais, queda de 0,99%, e Ibovespa registra alta após sequência de baixas.

01/05/2026 às 13:47
Por: Redação

O mês de abril foi encerrado no Brasil sob forte otimismo entre os agentes financeiros, marcando um período de expressiva valorização do real frente à moeda americana. Esse movimento foi impulsionado principalmente por fatores externos e pelo posicionamento adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em seu comunicado mais recente.

 

O dólar comercial finalizou as negociações nesta quinta-feira, 30 de abril, cotado a 4,952 reais, apresentando queda de 0,049 em relação ao dia anterior, correspondendo a uma desvalorização de 0,99%. Este resultado representa o menor patamar para a moeda americana desde 7 de março de 2024. Ao longo de abril, o dólar acumulou uma queda de 4,38% diante do real. Considerando o ano de 2024 até o momento, a moeda americana recuou 9,77%, posicionando o real brasileiro entre as moedas que melhor performaram no cenário global durante esse período.

 

De acordo com analistas, a conjuntura internacional mais positiva favoreceu o ingresso de capital estrangeiro no país. Investidores globais optaram por vender dólares e destinaram recursos para ativos brasileiros, especialmente ações. Entre os principais fatores que influenciaram esse movimento está a perda de força do dólar em âmbito internacional, perceptível não apenas no Brasil, mas também em diversos outros mercados, bem como a transferência de investimentos para economias que oferecem taxas de juros mais elevadas.

 

No contexto doméstico, embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, os juros brasileiros permanecem elevados em relação ao padrão internacional. Na quarta-feira, 29 de abril, a autoridade monetária diminuiu a Selic para 14,50% ao ano e indicou cautela diante dos riscos de inflação para as próximas decisões sobre política monetária.

 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Essa diferença entre os juros brasileiros e americanos contribui para tornar o Brasil um destino atrativo para investidores interessados em rendimentos superiores. O diferencial de juros é apontado como um dos principais elementos para a valorização do real.

 

Além do dólar, o euro comercial também registrou queda expressiva nesta quinta-feira, encerrando o dia cotado a 5,811 reais, com retração de 0,48%. Esse valor representa o menor registrado desde 24 de junho de 2024.

 

Mercado acionário registra recuperação após sequência de quedas

Após seis sessões consecutivas de baixa, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira (B3), teve desempenho positivo nesta quinta-feira, alcançando 187.318 pontos e registrando alta de 1,39%.

 

A valorização foi alimentada tanto pela entrada de recursos do exterior quanto pela mudança na percepção dos investidores em relação à política monetária nacional. Com a sinalização do Banco Central sobre a redução dos cortes na Selic, cresceu a confiança dos agentes econômicos na estabilidade macroeconômica, favorecendo a busca por ações brasileiras.

 

Apesar da alta observada no pregão desta quinta, o índice encerrou abril quase no mesmo patamar do início do mês, uma vez que a sequência de desvalorizações anteriores compensou parte dos ganhos recentes.

 

No campo interno, investidores acompanharam também indicadores econômicos e decisões políticas, que, contudo, exerceram influência limitada nos preços dos ativos. Os dados relativos ao mercado de trabalho apontaram resiliência da economia brasileira, reforçando a avaliação de que não há espaço no curto prazo para cortes agressivos na taxa de juros.

 

Oscilações do petróleo permanecem sob tensão geopolítica internacional

O cenário mundial do petróleo continuou influenciando os mercados financeiros. O preço da commodity apresentou volatilidade acentuada ao longo do dia, em função de tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.

 

Durante parte das negociações, as cotações do petróleo chegaram a superar 120 dólares, mas perderam força ao final do pregão. O barril do tipo Brent, referência para as operações da Petrobras, encerrou o dia cotado a 110,40 dólares, praticamente estável em relação ao fechamento anterior. Já o barril WTI, utilizado nas negociações nos Estados Unidos, fechou em 105,07 dólares, com variação negativa de 1,69%.

 

Especialistas destacam que as oscilações nos preços refletem as incertezas quanto ao fornecimento global de petróleo, especialmente diante dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições impostas ao tráfego no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte da commodity. Apesar de recuos pontuais, os valores do petróleo seguem elevados, o que mantém pressão sobre índices de inflação no mundo e impacta decisões de política monetária.

 

Com informações da Reuters.

© Copyright 2025 - Portal POA - Todos os direitos reservados