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Desemprego atinge 6,1% no 1º trimestre e registra menor índice histórico

Taxa de desocupação sobe em relação ao final de 2025, mas alcança melhor marca para o período desde 2012.

30/04/2026 às 23:14
Por: Redação

No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego foi calculada em 6,1%, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado supera o observado nos últimos três meses de 2025, quando o índice era de 5,1%, mas representa o menor patamar já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012.

 

O levantamento aponta que, entre janeiro e março do ano anterior, o índice de desocupação era de 7%. Os dados referentes ao atual trimestre foram apresentados no Rio de Janeiro.

 

Desde o período finalizado em maio de 2025, a porcentagem de desempregados não ultrapassava 6%. Considerando o trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa ficou em 5,8%.

 

Entretanto, o IBGE orienta que não se faça a comparação direta entre meses consecutivos, devido à sobreposição de informações nos períodos analisados, já que, por exemplo, os dados de fevereiro aparecem em ambas as divulgações mais recentes. Por esse motivo, a comparação recomendada é entre o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.

 

Crescimento da população em busca de trabalho

No encerramento do primeiro trimestre de 2026, o número de pessoas procurando emprego atingiu 6,6 milhões, grupo definido como população desocupada. Esse contingente é 19,6% maior — com acréscimo de 1,1 milhão de pessoas — que o registrado no último trimestre de 2025. Comparando com o mesmo período do ano passado, houve redução de 13% nesse total.

 

No mesmo intervalo, o total de trabalhadores ocupados chegou a 102 milhões de pessoas, número que representa uma queda de 1 milhão em relação ao quarto trimestre de 2025, mas significa um aumento de 1,5 milhão quando comparado ao primeiro trimestre do ano anterior.

 

Influência de fatores sazonais no mercado de trabalho

O desempenho do mercado laboral no início do ano refletiu fatores sazonais, característicos deste período, segundo a coordenação de pesquisas domiciliares do IBGE, representada por Adriana Beringuy.

 

A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.

 

No universo dos dez grupos de atividades avaliados pelo instituto, nenhum apresentou alta no número de ocupados. Em três segmentos houve diminuição: o comércio registrou queda de 1,5%, correspondente a menos 287 mil pessoas empregadas; a administração pública teve redução de 2,3%, ou 439 mil trabalhadores a menos; e os serviços domésticos caíram 2,6%, equivalente a 148 mil pessoas a menos atuando nessa função.

 

Informalidade apresenta retração em 2026

Ainda que o desemprego tenha aumentado entre o quarto trimestre do ano passado e o primeiro deste ano, o cenário nacional revelou diminuição do índice de informalidade no trabalho.

 

No trimestre finalizado em março, a fatia de trabalhadores informais foi de 37,3% da força de trabalho ocupada, o que equivale a 38,1 milhões de pessoas sem direitos trabalhistas formalizados.

 

No final de 2025, esse indicador era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre daquele ano era de 38%.

 

O setor privado somou 39,2 milhões de empregados com carteira assinada, número sem alterações significativas em relação ao trimestre anterior, porém com crescimento de 1,3%, ou acréscimo de 504 mil trabalhadores em doze meses.

 

Já o contingente de empregados sem carteira assinada no setor privado recuou 2,1% no trimestre, o que representa menos 285 mil pessoas, totalizando 13,3 milhões. No intervalo de um ano, o número permaneceu estável, sem variações estatísticas relevantes.

 

O grupo dos trabalhadores por conta própria manteve-se estável no trimestre, situando-se em 26 milhões. Em relação ao início de 2025, houve elevação de 2,4%, correspondendo a mais 607 mil pessoas nessa categoria.

 

Metodologia e abrangência da pesquisa

A pesquisa realizada pelo IBGE considera indivíduos com 14 anos ou mais, abrangendo todas as formas de ocupação: com ou sem carteira assinada, contratos temporários e trabalhadores por conta própria. Para ser considerada desocupada, a pessoa precisa ter buscado trabalho nos 30 dias que antecederam a coleta dos dados. O levantamento é feito em 211 mil domicílios distribuídos por todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

 

A divulgação da Pnad ocorre sempre após a publicação de outro importante indicador do setor, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que acompanha exclusivamente o mercado de vagas formais, ou seja, empregos com carteira assinada.

 

Conforme o Caged, o mês de março registrou saldo positivo de 228 mil postos formais criados. No acumulado de 12 meses, o resultado foi a abertura de 1,2 milhão de vagas de emprego com carteira assinada no país.

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