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BRB recebe aval de acionistas para ampliar capital em até 8,81 bilhões de reais

Assembleia autoriza emissão de ações para elevar capital do banco, que enfrenta crise institucional e negocia venda de ativos

22/04/2026 às 18:21
Por: Redação

Em decisão tomada na manhã desta quarta-feira, os acionistas do Banco de Brasília autorizaram o aumento do capital social da instituição pública, cuja participação majoritária pertence ao Governo do Distrito Federal, detentor de 53,7% das ações. Durante a assembleia geral extraordinária, definiu-se que serão emitidas ações ordinárias e preferenciais até o limite de 8,81 bilhões de reais, com cada ação sendo ofertada ao valor de 5,36 reais por meio de subscrição privada.

 

A expectativa da diretoria do banco é de que, após a operação, o capital social possa ser elevado dos atuais 2,344 bilhões de reais para um valor mínimo de 2,88 bilhões de reais, podendo chegar ao patamar máximo de 11,16 bilhões de reais.

 

O objetivo declarado pelo banco para esse aumento de capital é garantir níveis adequados de capitalização para a instituição, ampliar a capacidade de expansão das operações, fortalecer a estrutura patrimonial e aprimorar indicadores de solidez prudencial.

 

Para operacionalizar a proposta aprovada, os acionistas facultaram ao Conselho de Administração a adoção de todas as providências necessárias à efetivação do aumento de capital.

 

Na mesma assembleia, foi confirmada a nomeação do atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, além de Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito, para compor o Conselho de Administração do banco.

 

Banco busca alternativas diante de crise sem precedentes

 

Fundado em 1964, o Banco de Brasília enfrenta atualmente uma crise institucional inédita em sua trajetória. O cenário se agravou após a Polícia Federal deflagrar, em novembro de 2025, a primeira etapa da Operação Compliance Zero, quando foi revelado um esquema fraudulento que resultou em prejuízo bilionário para o banco, em decorrência da aquisição de créditos do Banco Master.

 

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontra-se preso desde o início de março deste ano. Os avanços nas investigações levaram tanto ao afastamento quanto à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também conhecido como PHC, acusado de participação em crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

 

No início desta semana, o Banco de Brasília comunicou a assinatura de um memorando de entendimento com a Quadra Capital, empresa especializada na gestão de fundos de investimentos, com o propósito de alienar ativos adquiridos junto ao Banco Master.

 

De acordo com o acordo, a gestora Quadra Capital comprometeu-se a pagar, em parcela única à vista, valor entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais pelos créditos adquiridos pelo BRB do Banco Master. Além disso, a empresa poderá desembolsar mais 11 bilhões ou 12 bilhões de reais, dependendo da eficácia na cobrança dos títulos negociados.

 

A recuperação desses créditos será realizada por meio de um fundo de investimento criado para gerenciar e monetizar os ativos, do qual BRB e Quadra serão cotistas. A efetivação dessa negociação ainda dependerá de análise e aprovação do Banco Central.

 

“Obviamente, o fundo de investimento a ser estruturado vai ter que performar. A Quadra só fará os pagamentos das parcelas restantes se o fundo obtiver retorno. Ou seja, se ela conseguir receber, dos devedores, ao menos parte considerável dos créditos que o BRB comprou do Master”, afirmou o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo.

 

César Bergo, que possui vasta experiência no setor financeiro, avalia que a formalização do acordo entre BRB e Quadra poderá amenizar o cenário de crise enfrentado pelo banco público, embora isso não represente uma solução definitiva para a situação.

 

“É um negócio que possibilita ao BRB respirar um pouco, por aparelhos, mas serão necessárias outras ações. E, por isso, ele está pedindo [mais de 6 bilhões de reais] de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos [FGC] e sinalizando a intenção de implementar uma administração austera, com uma possível mudança da estratégia de negócios”, concluiu Bergo.

 

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